The-Smiths-Demos-Raras

#música

Um fã de rock do século 21 dificilmente rotularia um som tão adulto quanto o do Smiths como indie, mas é disso que se trata. Morrissey/Marr/Rourke/Joyce vieram ao mundo (como um quarteto) por meio da gravadora Rough Trade, independente até a medula. É por isso que The Queen is Dead, seu terceiro álbum, que faz 30 anos exatamente nesta quinta-feira, 16 de junho, não fez 30 anos em novembro do ano passado.

A aguardada obra de rock alternativo (era como se chamava o indie nos anos 80) ia sair quando uma decisão judicial obtida pela Rough Trade suspendeu o lançamento. A banda tinha se dado conta da precariedade comercial de sua gravadora independente e passou a questionar o contrato que tinha assinado. A Rough Trade trancafiou a master e foi à justiça para resguardar seus direitos e evitar que uma major levasse o passe de seu artista mais ilustre. Conseguiu, e adiou por pelo menos meio ano o lançamento, criando a lenda em torno de The Queen is Dead já antes de ele chegar nas lojas (sim, os discos chegavam às lojas em 1986).

O álbum era mesmo genial, a partir da capa, com Alain Delon em filtro verde musgo, e se tornou a obra-prima do Smiths, alternando o cinismo de “Some Girls are Bigger than Others” com a dramaticidade de “There’s a Light that Never Goes Out”, a erudição de “Cemetery Gates” e o pop perfeito de “The Boy with the Thorn in his Side”, só pra ficar nas mais conhecidas.

O pós-punk do Smiths era autoral acima de tudo, difícil de ser comparado com qualquer outra banda naquela época, e soava adulto, mas conversava diretamente com um público formado por uma garotada que usava coturnos, All Star e calças justas, e que hoje, se ouvisse rock, ouviria indie rock, bem mais jovem, bem menos denso, muito menos importante. (Marcelo Ferla)