chico

#crônica

Estava lendo um post que trata de bicicletas e sua importância na pauta contemporânea, e lembrei apropriadamente de um livro do argentino Mempo Giardinelli, A Revolução de Bicicleta, lançado por aqui em 1987, pela L&PM, e da sua conexão (pelo menos na minha memória) com o mangue beat e a tropicália. Foi em uma Feira do Livro de Porto Alegre, na época em que a feira era um pouco menos provinciana e muito mais atraente do que hoje (também por que não soube ou parece nem ter tentado algo pra se livrar da concorrência das grandes livrarias e seus 20% de desconto nos lançamentos…), que eu passei o dia com o Chico Science, na cidade para o show com a Nação Zumbi, de lançamento do álbum Afrociberdelia.
Achei oportuno levá-lo na feira pra fazer uma pauta por lá. O Eduardo Sterzi, que escrevia sobre literatura, estava na mesma situação, mas com o Wally Salomão. Combinamos de fazer um encontro entre ambos, a parada rolou linda, rendeu uma puta matéria e ainda por cima acabamos responsáveis pelo primeiro encontro entre eles, que se adoravam mas não se conheciam! – e provavelmente o único, pois o Chico morreu três meses depois, o que inviabilizou a promessa do Wally, de fazer “alguma arte” com o mangueboy.
Pauta cumprida, saí com o Chico pra comprar livros, ele viu muitos, se interessou por tantos outros, mas comprou mesmo apenas um, um pouco por eu ter falado que era legal, muito porque adorou o título: A Revolução de Bicicleta. (Marcelo Ferla)